CONCILIANDO CRESCIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL COM A MATERNIDADE DA MULHER CONTEMPORÂNEA. CUIDANDO DA DIMENSÃO PESSOA EXISTENTE EM CADA MÃE
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Por uma vida mais organizada - Revista Dona & Cia
Por uma vida mais organizada
Só é possível dar conta de todos os papéis (como mãe, profissional, esposa, dona-de-casa) organizando a agenda e com muita disciplina. Tem um tempinho para conferir?
Por Daniela Talamoni
Listar as tarefas em uma agenda para dividir seu tempo faz toda a diferença para sua vidaNós, mulheres modernas, quisemos aproveitar ao máximo o direito de ser mãe, chefe de família, profissional, líder engajada e, de quebra, ser amada, feliz, bonita em qualquer idade... Mas pagamos caro por essa escolha.
Contagiadas pela chance de realização em todos os aspectos, abraçamos tudo e esquecemos de um obstáculo: o tempo – ou melhor, a falta dele – para assumir todos esses papéis. Resultado: apesar destas conquistas, hoje há um clima geral de insatisfação no universo feminino.
Uma amostra desse dilema foi registrada por uma pesquisa feita com 4.200 internautas e coordenada pelo especialista em produtividade pessoal e empresarial, Christian Barbosa, de São Paulo. Com idade média de 34 anos, 93% das participantes revelaram que trabalhava e mais de 40% eram casadas e tinham filhos.
Quanto a maneira como lidavam com os compromissos no dia-a-dia, 58% assumiram não conseguir ter equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional; 56% se concentram apenas na rotina e não usam o tempo para realizar seus próprios sonhos; e apenas 22% conseguem dedicar-se aos relacionamentos e à vida sexual. Um novo modelo de mulherAs frustrações e o desejo por um milagroso e longo dia de 25 horas são inevitáveis. O ideal de mulher perfeita passou da Amélia para a Mulher-Maravilha. Nenhuma delas deveria servir de exemplo, mas essa última gera mais angústia.
“Baseadas nessa expectativa irreal, as mulheres têm sempre a sensação de que deveriam aproveitar melhor o tempo para fazer mais por si, para a família ou pela sociedade”, explica a psicóloga clínica e psicanalista Sheila Skitnevsky-Finger, São Paulo.Na corrida contra o relógio, essa geração metida a heroína sacrifica até a hora de dormir do filho para passar um tempo com ele, espera a garotada pegar no sono para namorar de madrugada ou vira a noite estudando para dar uma guinada na carreira.Para piorar, entre um compromisso e outro, ainda precisa driblar conflitos emocionais que a colocam no papel de vilã e vítima, ao mesmo tempo. “A cobrança feminina das próprias atribuições é grande, elas se sentem na obrigação de cuidar de tudo.
Se não conseguem, ficam culpadas e preferem colocar os próprios interesses de lado para privilegiar seus outros papéis”, comenta Cristian Barbosa. A psicóloga Sheila coloca que a sensação de culpa e a autopunição ocorrem porque os interesses femininos mudaram, mas certos conceitos antigos, de tão enraizados, ainda comandam a nova mulher — sem que ela perceba.Prova disso é o que ocorre com a maternidade. As novas mamães têm anseios e preocupações que vão além dos cuidados com banho, alimentação, fraldas e a educação dos filhos. “Cabe a nossa geração encontrar novos valores e estratégias para conciliar todos os interesses”, propõe Sheila que, junto com uma amiga, divulga o conceito Mãe-Pessoa por meio de palestras e discussões em grupo.
O objetivo é mostrar às mulheres que é possível abandonar mitos e crenças, delegar funções, listar prioridades e dar atenção à pessoa por trás da figura materna, sem culpas. As dicas das especialistas são muito semelhantes às reunidas no livro Você, Dona do Seu Tempo. Como Ser Mais Produtiva e ter Mais Qualidade de Vida (Editora Gente), de Christian Barbosa, sobre as razões complexas que deixam o passar das horas mais angustiante para as mulheres.
Na palestra ou no livro, a conclusão é a mesma: ter uma agenda e disciplina é importante. Mas as pazes com os ponteiros – e com a própria consciência – dependerão muito mais da mudança de postura diante da crescente lista de compromissos. Confira o que fazer para se organizar e ganhar tempo.
Agenda: como usar?Cada mulher tem um estilo, mas algumas regras básicas podem ajudar a tornar essa ferramenta mais eficaz e tão útil quanto a nossa nécessaire:Crie o ritual de parar 20 minutos, no domingo, para anotar tudo o que você precisará fazer na semana; Na coluna da esquerda, marque seus compromissos (12h00: buscar as crianças na escola). Na da direita, as tarefas que precisa cumprir para isso (sair mais cedo do trabalho, colocar gasolina no carro, etc.);Lembre-se de suas prioridades (mais atenção aos filhos ou à carreira) e reserve mais tempo a elas. Também se preocupe com as metas. Se puder encaixar na rotina a tão adiada aula de inglês, programe-se já!; Nunca deixe as tarefas mais chatas e difíceis para o final do dia; De vez em quando, sacrifique alguns minutos da sua hora do almoço para fazer compras ou resolver um outro compromisso que ficaria para depois;Planeje até o melhor dia para se organizar: sexta-feira, para ver e-mails; sábado, fazer faxina; domingo, contabilidade...8 atitudes para sua rotina entrar em sincronia
1. Defina as suas metas para o futuro. Qual seu maior sonho? O que tem feito para conquistá-lo? Como você espera estar daqui a cinco anos? Para quem tem tanto a fazer no dia-a-dia, pensar nisso pode parecer perda de tempo. Não é. Quando descobre o que deseja de verdade, a mulher deixa de viver apenas em função da rotina. Os compromissos diários ganham novo sentido e mais atenção, porque, afinal, podem ajudá-la a chegar lá!2. Tenha uma agenda e faça um planejamento semanal. “Isso favorece uma visão mais abrangente das prioridades, permite prever eventuais urgências e ainda ajuda a focar o que é de fato importante (seja no campo pessoal ou profissional)”, explica Christian Barbosa. 3. Não fique com medo de assumir suas prioridades. A sinceridade é o melhor caminho para não ficar angustiada e nem sentir-se culpada. “Pense bem em tudo o que realmente quer e acredita e tente ser fiel ao que tem importância para você”, simplifica a psicóloga Sheila Skitnevsky-Finger.4. Respeite suas anotações e aprenda a fazer uma coisa de cada vez. De nada adianta marcar na agenda um horário para dedicar-se aos filhos, se você não se compromete a estar ali com eles por inteiro. 5. Reserve tempo para você. Isso inclui ir ao cabeleireiro, fazer check-up, estudar, se dedicar à carreira... “Sem esse investimento, você terá a sensação de que a vida está passando rápido demais, se anulará e sua auto-estimatambém ficará reduzida”, alerta Christian. Além disso, se você não estiver bem no papel de mulher, como se dedicará aos outros? Para a psicóloga Sheila, uma mãe relaxada e feliz é um ótimo exemplo para os filhos. “O que somos e fazemos, mais do que falamos, é o que realmente afeta a garotada”, alerta.6. Não seja tão radical com as regras. Se por alguma urgência você não conseguir cumprir todos os compromissos daquele dia, refaça a lista de prioridades para o dia seguinte. Mas, atenção, para não acumular tarefas, tenha bom senso e cancele o que for menos importante. 7. Ninguém é superpoderosa. Delegue funções. Pedir ajuda não é atestado de incompetência. Hoje em dia, é uma forma inteligente de dar conta do recado e não sobrecarregar ninguém. Mas seja clara ao solicitar o apoio que precisa. “As pessoas não têm obrigação de adivinhar”, lembra Sheila. 8. Esqueça os costumes e use a criatividade. Como? A psicóloga Sheila lembra da sugestão que deu para uma mãe aflita que precisava de um tempo com o marido: “Ela se lamentava por não poder sair de sábado, porque não tinha com quem deixar os filhos. Sugeri para que fossem passear durante a semana. Quem, afinal, determinou qual o melhor dia para se divertir?”. Para driblar a falta de tempo, a dica é pensar em alternativas aos padrões de conduta.
Essas e outras matérias você encontra na Dona & Cia, a nova revista da Editora Símbolo. Já nas bancas!
Só é possível dar conta de todos os papéis (como mãe, profissional, esposa, dona-de-casa) organizando a agenda e com muita disciplina. Tem um tempinho para conferir?
Por Daniela Talamoni
Listar as tarefas em uma agenda para dividir seu tempo faz toda a diferença para sua vidaNós, mulheres modernas, quisemos aproveitar ao máximo o direito de ser mãe, chefe de família, profissional, líder engajada e, de quebra, ser amada, feliz, bonita em qualquer idade... Mas pagamos caro por essa escolha.
Contagiadas pela chance de realização em todos os aspectos, abraçamos tudo e esquecemos de um obstáculo: o tempo – ou melhor, a falta dele – para assumir todos esses papéis. Resultado: apesar destas conquistas, hoje há um clima geral de insatisfação no universo feminino.
Uma amostra desse dilema foi registrada por uma pesquisa feita com 4.200 internautas e coordenada pelo especialista em produtividade pessoal e empresarial, Christian Barbosa, de São Paulo. Com idade média de 34 anos, 93% das participantes revelaram que trabalhava e mais de 40% eram casadas e tinham filhos.
Quanto a maneira como lidavam com os compromissos no dia-a-dia, 58% assumiram não conseguir ter equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional; 56% se concentram apenas na rotina e não usam o tempo para realizar seus próprios sonhos; e apenas 22% conseguem dedicar-se aos relacionamentos e à vida sexual. Um novo modelo de mulherAs frustrações e o desejo por um milagroso e longo dia de 25 horas são inevitáveis. O ideal de mulher perfeita passou da Amélia para a Mulher-Maravilha. Nenhuma delas deveria servir de exemplo, mas essa última gera mais angústia.
“Baseadas nessa expectativa irreal, as mulheres têm sempre a sensação de que deveriam aproveitar melhor o tempo para fazer mais por si, para a família ou pela sociedade”, explica a psicóloga clínica e psicanalista Sheila Skitnevsky-Finger, São Paulo.Na corrida contra o relógio, essa geração metida a heroína sacrifica até a hora de dormir do filho para passar um tempo com ele, espera a garotada pegar no sono para namorar de madrugada ou vira a noite estudando para dar uma guinada na carreira.Para piorar, entre um compromisso e outro, ainda precisa driblar conflitos emocionais que a colocam no papel de vilã e vítima, ao mesmo tempo. “A cobrança feminina das próprias atribuições é grande, elas se sentem na obrigação de cuidar de tudo.
Se não conseguem, ficam culpadas e preferem colocar os próprios interesses de lado para privilegiar seus outros papéis”, comenta Cristian Barbosa. A psicóloga Sheila coloca que a sensação de culpa e a autopunição ocorrem porque os interesses femininos mudaram, mas certos conceitos antigos, de tão enraizados, ainda comandam a nova mulher — sem que ela perceba.Prova disso é o que ocorre com a maternidade. As novas mamães têm anseios e preocupações que vão além dos cuidados com banho, alimentação, fraldas e a educação dos filhos. “Cabe a nossa geração encontrar novos valores e estratégias para conciliar todos os interesses”, propõe Sheila que, junto com uma amiga, divulga o conceito Mãe-Pessoa por meio de palestras e discussões em grupo.
O objetivo é mostrar às mulheres que é possível abandonar mitos e crenças, delegar funções, listar prioridades e dar atenção à pessoa por trás da figura materna, sem culpas. As dicas das especialistas são muito semelhantes às reunidas no livro Você, Dona do Seu Tempo. Como Ser Mais Produtiva e ter Mais Qualidade de Vida (Editora Gente), de Christian Barbosa, sobre as razões complexas que deixam o passar das horas mais angustiante para as mulheres.
Na palestra ou no livro, a conclusão é a mesma: ter uma agenda e disciplina é importante. Mas as pazes com os ponteiros – e com a própria consciência – dependerão muito mais da mudança de postura diante da crescente lista de compromissos. Confira o que fazer para se organizar e ganhar tempo.
Agenda: como usar?Cada mulher tem um estilo, mas algumas regras básicas podem ajudar a tornar essa ferramenta mais eficaz e tão útil quanto a nossa nécessaire:Crie o ritual de parar 20 minutos, no domingo, para anotar tudo o que você precisará fazer na semana; Na coluna da esquerda, marque seus compromissos (12h00: buscar as crianças na escola). Na da direita, as tarefas que precisa cumprir para isso (sair mais cedo do trabalho, colocar gasolina no carro, etc.);Lembre-se de suas prioridades (mais atenção aos filhos ou à carreira) e reserve mais tempo a elas. Também se preocupe com as metas. Se puder encaixar na rotina a tão adiada aula de inglês, programe-se já!; Nunca deixe as tarefas mais chatas e difíceis para o final do dia; De vez em quando, sacrifique alguns minutos da sua hora do almoço para fazer compras ou resolver um outro compromisso que ficaria para depois;Planeje até o melhor dia para se organizar: sexta-feira, para ver e-mails; sábado, fazer faxina; domingo, contabilidade...8 atitudes para sua rotina entrar em sincronia
1. Defina as suas metas para o futuro. Qual seu maior sonho? O que tem feito para conquistá-lo? Como você espera estar daqui a cinco anos? Para quem tem tanto a fazer no dia-a-dia, pensar nisso pode parecer perda de tempo. Não é. Quando descobre o que deseja de verdade, a mulher deixa de viver apenas em função da rotina. Os compromissos diários ganham novo sentido e mais atenção, porque, afinal, podem ajudá-la a chegar lá!2. Tenha uma agenda e faça um planejamento semanal. “Isso favorece uma visão mais abrangente das prioridades, permite prever eventuais urgências e ainda ajuda a focar o que é de fato importante (seja no campo pessoal ou profissional)”, explica Christian Barbosa. 3. Não fique com medo de assumir suas prioridades. A sinceridade é o melhor caminho para não ficar angustiada e nem sentir-se culpada. “Pense bem em tudo o que realmente quer e acredita e tente ser fiel ao que tem importância para você”, simplifica a psicóloga Sheila Skitnevsky-Finger.4. Respeite suas anotações e aprenda a fazer uma coisa de cada vez. De nada adianta marcar na agenda um horário para dedicar-se aos filhos, se você não se compromete a estar ali com eles por inteiro. 5. Reserve tempo para você. Isso inclui ir ao cabeleireiro, fazer check-up, estudar, se dedicar à carreira... “Sem esse investimento, você terá a sensação de que a vida está passando rápido demais, se anulará e sua auto-estimatambém ficará reduzida”, alerta Christian. Além disso, se você não estiver bem no papel de mulher, como se dedicará aos outros? Para a psicóloga Sheila, uma mãe relaxada e feliz é um ótimo exemplo para os filhos. “O que somos e fazemos, mais do que falamos, é o que realmente afeta a garotada”, alerta.6. Não seja tão radical com as regras. Se por alguma urgência você não conseguir cumprir todos os compromissos daquele dia, refaça a lista de prioridades para o dia seguinte. Mas, atenção, para não acumular tarefas, tenha bom senso e cancele o que for menos importante. 7. Ninguém é superpoderosa. Delegue funções. Pedir ajuda não é atestado de incompetência. Hoje em dia, é uma forma inteligente de dar conta do recado e não sobrecarregar ninguém. Mas seja clara ao solicitar o apoio que precisa. “As pessoas não têm obrigação de adivinhar”, lembra Sheila. 8. Esqueça os costumes e use a criatividade. Como? A psicóloga Sheila lembra da sugestão que deu para uma mãe aflita que precisava de um tempo com o marido: “Ela se lamentava por não poder sair de sábado, porque não tinha com quem deixar os filhos. Sugeri para que fossem passear durante a semana. Quem, afinal, determinou qual o melhor dia para se divertir?”. Para driblar a falta de tempo, a dica é pensar em alternativas aos padrões de conduta.
Essas e outras matérias você encontra na Dona & Cia, a nova revista da Editora Símbolo. Já nas bancas!
terça-feira, 17 de junho de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
A corporeidade da Mãe Pessoa - Nosso corpo é a nossa história
Você nunca mais será a mesma, nem por dentro nem por fora... não há como passar pela experiência de ficar grávida e ter um filho e não ter uma mudança a nível corporal. Mas a gente não quer admitir essa mudança. Não quer e não pode. Não pode porque a sociedade não oferece mais um lugar de valor para o corpo materno, como antigamente ocorria. Passamos da água para o vinho em certo sentido. De uma valorização da mãe inteiramente devotada - que não precisava se cuidar do ponto de vista corporal, pois ela era respeitada por ser mãe - passamos à expectativa de que a mãe rapidamente recupere a boa forma.Quantas de nós já saímos da maternidade reclamando da barriga e na primeira consulta ao ginecologista já queremos saber quando podemos voltar a malhar... E provavelmente ele vai falar : em seis semanas vida normal... Sim, normal para ele que estará no consultório tranquilamente nas próximas semanas. Para a mulher que virou mãe de corpo e alma, seis semanas ainda é um tempo em que está aprendendo a "andar de novo..." No entanto, há uma grande pressa de voltar a ser o que se era antes, como se esse novo corpo, essa nova vida não fosse suficientemente interessante. É preciso voltar a ser como antes. Como se a vida abrisse essa possibilidade de retorno ao antes. E pergunto: quem quer fazer exercício depois de se exercitar o dia inteiro atrás do filho? Nos primeiros anos de maternidade a vida é puro exercício aeróbico, sem descanso, com pouco sono e muito que fazer. Talvez não seja exercício localizado, por isso não perdemos calorias no lugar que precisamos. Depois de viver a maternidade, hoje considero a natureza sábia. Aquelas calorias a mais que carregamos são uma proteção, senão desmaiamos no meio da rua de cansaço.Entretanto o mundo só tem olhos para a sua barriguinha... e como não temos nenhum modelo alternativo de “beleza materna” para nos espelhar, tendemos a achar que a solução está na malhação. Quando ligamos a televisão, é um choque: estão todos saradíssimos, esbeltos, magros e bronzeados. Ainda piorou depois que a Globo colocou o filtro que evita o envelhecimento das imagens dos seus atores. Assim nos sentimos fora da possibilidade de qualquer elogio e, algumas revistas continuam insistindo em exercícios mágicos e dietas milagrosas. Diga-me: Há alguém dialogando sobre a corporeidade da pessoa que vive a maternidade? Isto é, dialogando sobre a transformação pela qual passou o corpo que foi submetido aos aspectos físicos, emocionais e espirituais da experiência da maternidade? Alguém dialoga com o corpo que vive o exercício de cuidar de um bebê vinte e quatro horas por dia, em que a prioridade é o corpo do Outro, frágil, instável e sensível? Mirian Goldenberg, no seu artigo: “O corpo como Capital: Para Compreender a Cultura Brasileira”(2006), aponta uma realidade incontestável da contemporaneidade: Pode-se enxergar melhor o paradoxo apontado por Lipovetsky com a idéia de “contrários em equilíbrio” de Gilberto Freyre. No Brasil, o desenvolvimento do individualismo e a intensificação das pressões sociais das normas do corpo caminham juntos. De um lado, o corpo da brasileira se emancipou amplamente de suas antigas servidões - sexuais, procriadoras ou indumentárias-; de outro, encontra-se, atualmente submetido a coerções estéticas mais regulares, mais imperativas e mais geradoras de ansiedade do que antigamente. Vivemos, então, um “equilíbrio de antagonismos”: um dos momentos de maior independência e liberdade femininas é também aquele em que um alto grau de controle em relação ao corpo e à aparência se impõe à mulher brasileira.
Estamos frente a uma contradição que me deixa perplexa e para a qual não tenho resposta. Tenho procurado escutar a mim mesma, mãe de 40 anos e psicóloga e, também, procurado escutar muitas mães com as quais venho trabalhando.Por outro lado, vejo na clínica meninas jovens se disponibilizarem a pagar um preço alto para tentar se aproximar do corpo “global” e da imagem corporal globalizada pela mídia do mundo todo. O corpo é um capital importante no mundo contemporâneo, particularmente o corpo feminino. No passado a maternidade em si acrescentava valor à mulher. Com as conquistas da modernidade temos uma situação paradoxal em termos de valor em que o visual da mulher compete com a competência profissional. Isso vem acontecendo de tal forma que da mãe se espera que rapidamente volte tanto ao mercado de trabalho quanto às formas da mulher que foi anteriormente. Poderia se dizer que há uma tripla jornada de trabalho para a mãe, porque além do corpo malhado e do sucesso profissional se espera dela que seja uma boa mãe. De fato há um progresso em relação à maternidade do passado, em que a mulher ficava confinada em casa e da qual se esperava pouco investimento na estética corporal e na vida profissional. Em contrapartida, há um olhar discriminador em relação a mãe que resiste ou não consegue mesclar academia intensiva com cuidar do bebê e de sua vida profissional. Isso, porque a reflexão sobre o impacto da maternidade sobre nós como pessoas fica completamente sem espaço para emergir. No fundo de nós mesmas fica a questão: quando esta sociedade dará um lugar, dará valor e não desprezo para o corpo real, para o corpo possível pela vida que se vive? Isto é, para o corpo que tem memória, e portanto, marcas, para o corpo que tem história e portanto significados, sem culpa pela perda do corpo adolescente? Sim, houve uma libertação da mulher em relação ao confinamento doméstico após casamento e maternidade, mas a questão que fica é: a liberdade de um modelo não está se dando ao preço da submissão a outro modelo igualmente punitivo e tirânico? Hoje em dia é raro ver uma mulher que esteja satisfeita com seu corpo. Internalizamos de tal forma o modelo de beleza imposto pela mídia que estamos sempre em falta. Em falta com essa imagem cruel do corpo da mulher no qual nossa história não pode deixar vestígios. Há sempre produtos e serviços “capazes” de eliminar estes restos indesejáveis de nossas dores, experiências e aventuras pela vida. O mito do corpo perfeito é assimilado sem críticas pelos homens e, naturalmente por nós, mulheres e mães. Como se fosse possível e mesmo desejável, viver em toda sua plenitude uma vida rica de experiências, entre as quais a da maternidade - evento que nos afeta no núcleo de nossa corporeidade e manter um corpo intacto. Nosso corpo é nossa história. Como crescer espiritualmente e não aceitar que nosso corpo se transforma aos olhos dos outros e para nós mesmos? Uma coisa é a estética de um corpo bonito, nada contra. Outra é não ter valor um corpo materno, com estrias, marcas, gordurinhas, que se desgasta na devoção ao seu bebê e na conciliação desta enorme tarefa com a volta ao mercado de trabalho. O corpo materno, que sabiamente é mais carnudinho para ser um colo, deveria ser o corpo almejável e até reverenciado pela beleza da experiência que contêm. Por enquanto, entretanto, o corpo desejável da mulher brasileira é o corpo esguio da adolescente, e não é rara a nossa frustração quando chegamos a uma loja de roupas e percebemos que o tamanho G de uma roupa é ridiculamente pequeno. No nosso curso Maternidade na Modernidade(http://www.maepessoa.com.br/) temos uma aula onde começamos a abrir essa possibilidade de aceitar outros modelos corporais, menos esculturais, mas não por isso menos belos. Corpos que contam histórias. Há até algumas empresas, como a Dove e a Natura, que tentam ter mais compaixão com uma mulher real revelando sua beleza, dignidade e legitimidade.Nossa consciência enquanto mãe-pessoa é nosso único recurso para reverter esse caminho que parece ser um progresso e, no entanto, pode ser tão opressor quanto a velha desqualificação estética e sensual da mãe de outros tempos.
Por Tania Novinsky Haberkorn - email: tania@maepessoa.com.br
Estamos frente a uma contradição que me deixa perplexa e para a qual não tenho resposta. Tenho procurado escutar a mim mesma, mãe de 40 anos e psicóloga e, também, procurado escutar muitas mães com as quais venho trabalhando.Por outro lado, vejo na clínica meninas jovens se disponibilizarem a pagar um preço alto para tentar se aproximar do corpo “global” e da imagem corporal globalizada pela mídia do mundo todo. O corpo é um capital importante no mundo contemporâneo, particularmente o corpo feminino. No passado a maternidade em si acrescentava valor à mulher. Com as conquistas da modernidade temos uma situação paradoxal em termos de valor em que o visual da mulher compete com a competência profissional. Isso vem acontecendo de tal forma que da mãe se espera que rapidamente volte tanto ao mercado de trabalho quanto às formas da mulher que foi anteriormente. Poderia se dizer que há uma tripla jornada de trabalho para a mãe, porque além do corpo malhado e do sucesso profissional se espera dela que seja uma boa mãe. De fato há um progresso em relação à maternidade do passado, em que a mulher ficava confinada em casa e da qual se esperava pouco investimento na estética corporal e na vida profissional. Em contrapartida, há um olhar discriminador em relação a mãe que resiste ou não consegue mesclar academia intensiva com cuidar do bebê e de sua vida profissional. Isso, porque a reflexão sobre o impacto da maternidade sobre nós como pessoas fica completamente sem espaço para emergir. No fundo de nós mesmas fica a questão: quando esta sociedade dará um lugar, dará valor e não desprezo para o corpo real, para o corpo possível pela vida que se vive? Isto é, para o corpo que tem memória, e portanto, marcas, para o corpo que tem história e portanto significados, sem culpa pela perda do corpo adolescente? Sim, houve uma libertação da mulher em relação ao confinamento doméstico após casamento e maternidade, mas a questão que fica é: a liberdade de um modelo não está se dando ao preço da submissão a outro modelo igualmente punitivo e tirânico? Hoje em dia é raro ver uma mulher que esteja satisfeita com seu corpo. Internalizamos de tal forma o modelo de beleza imposto pela mídia que estamos sempre em falta. Em falta com essa imagem cruel do corpo da mulher no qual nossa história não pode deixar vestígios. Há sempre produtos e serviços “capazes” de eliminar estes restos indesejáveis de nossas dores, experiências e aventuras pela vida. O mito do corpo perfeito é assimilado sem críticas pelos homens e, naturalmente por nós, mulheres e mães. Como se fosse possível e mesmo desejável, viver em toda sua plenitude uma vida rica de experiências, entre as quais a da maternidade - evento que nos afeta no núcleo de nossa corporeidade e manter um corpo intacto. Nosso corpo é nossa história. Como crescer espiritualmente e não aceitar que nosso corpo se transforma aos olhos dos outros e para nós mesmos? Uma coisa é a estética de um corpo bonito, nada contra. Outra é não ter valor um corpo materno, com estrias, marcas, gordurinhas, que se desgasta na devoção ao seu bebê e na conciliação desta enorme tarefa com a volta ao mercado de trabalho. O corpo materno, que sabiamente é mais carnudinho para ser um colo, deveria ser o corpo almejável e até reverenciado pela beleza da experiência que contêm. Por enquanto, entretanto, o corpo desejável da mulher brasileira é o corpo esguio da adolescente, e não é rara a nossa frustração quando chegamos a uma loja de roupas e percebemos que o tamanho G de uma roupa é ridiculamente pequeno. No nosso curso Maternidade na Modernidade(http://www.maepessoa.com.br/) temos uma aula onde começamos a abrir essa possibilidade de aceitar outros modelos corporais, menos esculturais, mas não por isso menos belos. Corpos que contam histórias. Há até algumas empresas, como a Dove e a Natura, que tentam ter mais compaixão com uma mulher real revelando sua beleza, dignidade e legitimidade.Nossa consciência enquanto mãe-pessoa é nosso único recurso para reverter esse caminho que parece ser um progresso e, no entanto, pode ser tão opressor quanto a velha desqualificação estética e sensual da mãe de outros tempos.
Por Tania Novinsky Haberkorn - email: tania@maepessoa.com.br
Hebert Vianna e a Mãe Pessoa!
Pelo jeito não estamos sozinhas...
Herbert Vianna : 'Cirurgia de lipoaspiração?'
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. "Cuide bem do seu amor, seja ele quem for". Herbert Vianna (Cantor e Compositor)
Herbert Vianna : 'Cirurgia de lipoaspiração?'
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação.Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. "Cuide bem do seu amor, seja ele quem for". Herbert Vianna (Cantor e Compositor)
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